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28 agosto 2011

Timing: Slow-in e Slow-out na Animação

Vamos assistir a essa animação:



Esse é um dos Little Nemo produzidos à cem anos (1911) por Winsor McCay. McCay é sem dúvida um dos meus heróis na história da animação. O cara animava nos primórdios do cinema. Gato Felix, considerada a primeira série de desenho animado, levaria mais de uma década para nascer. Nessa época, Walt Disney era um garotinho de dez anos, provavelmente ainda naquela fazenda em Marceline, Missouri.
Técnicas de animação? Os doze princípios fundamentais? Acetato? Mesa de Luz? Cara... isso é para os fracos! McCay mandava ver sem qualquer desses recursos! Não acho que seja exagero dizer que ele fazia desenho animado antes de alguém inventar os desenhos animados.

Mas verdade seja dita. Little Nemo, como seus outros filmes, não deixa de ser um pouco anestésico. As coisas vão acontecendo em um clima meio hipnótico. Os movimentos se sucedem num ritmo constante. Um soco leva o mesmo tempo que o dissipar de uma fumaça... ou seja, não tinha Timing! Lembra dele? Não acho que seja um problema, principalmente pra a platéia da época, mas pra nós que crescemos assistindo Tom & Jerry e os Looney Tunes, dificilmente seremos entretidos com aquele ritmo invariável.
Dominar Slow-in (Acelerar) e Slow-out (Desacelerar) é uma das coisas mais óbvias e mais difíceis que encontrei em animação. Não tem muito o que dizer. Movimento mais lento, desenhe mais frames; movimento rápido, menos frames... é isso. Simples assim e complicado pra car@%*0 pra conseguir a medida certa. Note esse exemplo:




Slow-in quando o objeto está descendo e Slow-out quando ele está subindo. Tenha cuidado para que a transição seja sutil. A variação de velocidade acontece de forma gradual aqui.

Aqui não. Numa porta que bate, temos um Slow-in, mas não temos o Slow-out. Isso porque uma porta pára abruptamente. Acelere, e pare de uma vez.



Na porta abrindo é o contrário. Não temos o Slow-in, mas temos um Slow-out no final do movimento. Comece rápido e pare letamente. Não deixe de notar o papel sutil, mas determinante das Linhas de Velocidade em todos esses exemplos.





Dê uma olhada em: Explorando a animação de uma bola saltitante, Explorando a animação de “formas” saltitantes e Técnicas de Animação: Squash e Stretch. Você vai encontrar alguns exemplos que podem ser instrutivos em matéria de Slow-in e Slow-out.


É isso!
O que posso dizer ainda é que se precisa de muitos erros até chegar a um acerto. Experimente muito e confie nos seus olhos.

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